QUANDO A VERDADE MACHUCA
- Marcilio Maran
- 11 de out. de 2025
- 3 min de leitura
Reflexões sobre o perdão, o orgulho e o aprendizado da alma

Há noites em que a insônia me visita. Nessas horas, sento-me na cama e começo a meditar sobre o que vivi durante o dia — o que falei, o que fiz e o que deixei de fazer. Sou rigoroso comigo mesmo, porque aprendi que a consciência é o juiz mais severo que existe.
Digo isso porque, diferente de muitos, eu realmente me preocupo com o outro. E acredito que todos deveriam, de tempos em tempos, parar para refletir sobre suas atitudes. Afinal, toda ação tem uma reação — é a lei da vida, a lei do retorno.
Mas o que muda tudo é como reagimos.
O inimigo interior
Há regras simples da vida que esquecemos com facilidade: ponderar antes de agir, pensar antes de falar e respeitar antes de julgar. Muitos vivem sem se importar com as consequências do que fazem. Porém, quem deseja crescer como ser humano precisa estar atento a si mesmo.
Já diz um antigo pensamento filosófico:
“O maior inimigo do homem é ele mesmo.”
E o Mestre Jesus, quando caminhou entre nós, reforçou essa verdade com palavras e exemplos. Ele nos ensinou a importância do perdão — e foi claro ao dizer que, se queremos ser perdoados, devemos também aprender a perdoar.
A dificuldade de perdoar
Perdoar é difícil. Muitas vezes somos feridos por palavras ou atitudes que deixam marcas profundas. Mas, com a mesma facilidade com que somos machucados, também machucamos os outros.
Somos humanos, falhos, imperfeitos. E é exatamente aí que mora a lição:
“Quero ser melhor, ou quero ser igual aos outros?”
Uma história que ficou como lição
Tive um amigo prefeito — um homem de coração nobre, a quem sempre admirei. Defendi-o em vida e ainda o defendo quando é necessário. Ele tinha muitos admiradores, mas também fez inimigos. E esse, talvez, tenha sido o seu maior erro, porque um político pode ter adversários, mas jamais deveria ter inimigos.
Pouco antes de sua morte, combinamos uma conversa sobre uma parceria para a eleição que se aproximava. No dia do seu falecimento, o então prefeito da cidade — seu inimigo declarado — não baixou as bandeiras, não decretou luto oficial e nem enviou flores em nome do município. Sua ausência foi sentida e comentada.O orgulho falou mais alto.
Mas a vida, com sua sabedoria silenciosa, devolve tudo ao seu tempo. Na eleição seguinte, o candidato do atual prefeito foi derrotado — e quem venceu foi justamente um parente do prefeito falecido.
Coincidência? Talvez. Mas eu prefiro chamar de lição.
E volto à pergunta: onde ficou o perdão nessa história?
O povo não perdoou.
Parte da família também talvez ainda não tenha conseguido.
Mas é preciso lembrar:
só quem aprende a perdoar é verdadeiramente livre.
Palavras e atitudes: o poder invisível
A vida me ensinou que devemos ter muito cuidado com o que dizemos. Mesmo um elogio pode ferir, dependendo de como é interpretado. Uma crítica, se não for dita com amor, pode destruir.
Por isso, guardo comigo três pequenos conselhos:
· Elogie sem comparar.
· Agradeça sem esperar nada em troca.
Perdoe sem cobrar arrependimento.
Vigiai
Eu erro todos os dias — e reconheço. Procuro aprender e não repetir.
Como diz a Palavra:
“Vigiai, pois não sabeis a que hora há de vir o ladrão.” (Mateus 24:42)
Essa passagem bíblica é profunda. Ela não fala apenas da volta do Senhor, mas também do cuidado que devemos ter com nossos próprios impulsos. Porque, no fim das contas, o ladrão pode ser o nosso próprio ego, que tenta roubar a paz do coração.
Oração e reconciliação
Sempre que percebo que errei, peço perdão. Mesmo quando não sou perdoado, oro pela pessoa. Peço a Deus que um dia possamos nos reencontrar em paz, como irmãos que entenderam que todos estamos aqui para aprender, evoluir e amar.
✍️ Maran - Reflexões de quem aprendeu que o perdão não é um gesto de fraqueza, mas de grandeza.



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